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domingo, 18 de maio de 2008

CRÓNICA (I)DIÁRIA

Faz de conta que sei de que estou a escrever, não tarda saberei. Seja por identificar ou identificar-me com o que escrevo, no fazer da escrita.
A crónica é um género particularmente generoso, faz-nos parecidos com alguém que tem “algo para dizer”, mesmo se apenas dá a ler interrogações.
Este misto de certeza e incerta “qualquer coisa” dá azo a dedicar-me a escrever com o que vai acontecendo neste juntar de palavras.
Evito deste modo, tento evitar, deixar que o leitor avance muito depressa, ficando a saber muito mais que eu que, devagar, ainda vou aqui, devagar.
Colecciono as frases, vou-as juntando. Quando de repente encontrar um filão, começarei a garimpar ao lado. Estou a prospeccionar, apenas isto.
Tenho para mim ser no fazer da escrita que a escrita se faz de forma mais delicada, com minudências de pausas com virgulas e ponto e vírgulas…
Se eu tenho uma ideia e preciso urgentemente escrevê-la para não a perder, eu nem me dou conta de estar a escrever, tento apenas não esquecer...
O vagar da escrita é uma coisa bonita e boa, como os pés cruzados das pernas estendidas e repousadas. Olho para o longe e visto de perto, o horizonte aproxima-se ou afasta-se.
Acabo, porque acabo, ao cabo – do que quis – escrever.